Em 1997 nasce a rede experimental de detecção de descargas atmosférica a longa distância, "Sferics Timing And Ranging NETwork (STARNET)". A STARNET foi concebida pela Resolution Display Inc (RDI) a partir do programa de desenvolvimento inovativo de pequenas empresas da NASA . A RDI desenvolveu um sistema que consistia de cinco antenas rádio receptoras na faixa de frequência de VLF (7-15 kHz) que estavam situadas ao longo da costa leste dos EUA e em Porto Rico. Sferics é o ruído de rádio emitido por descargas atmosféricas dentro de uma grande faixa do espectro eletromagnético. Na faixa de frequência do VLF, este sinal pode se propagar a milhares de quilômetros de distância dentro do guia-de-onda formado pela ionosfera e a superfície terrestre. Esta rede experimental operou até 1998.

Em 2003, a National Science Foundation através do programa de Ciclo da Água financiou a compra e a operação de 4 receptores de rádio sobre o continente Africano. Estes receptores foram integrados com a rede de descargas atmosféricas - ZEUS do Observatório Nacional de Atenas (NOA). Esta configuração possibilitou um contínuo monitoramento das tempestades sobre os continentes Europeu e Africano até 2005.

Através de um projeto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Companhia Energética do Ceará (COELCE) em 2006, a Universidade Estadual do Ceará (UECE) e a Universidade de São Paulo (USP) instalaram duas estações de VLF no Brasil. No mesmo ano, a Universidade de Nevada em Las Vegas financiou uma outra antena que foi instalada no Caribe. Estas 3 novas antenas foram integradas com os quatro sensores da Africa em uma tentativa de incorporar todos os receptores que dispunham da tecnologia de VLF-Sferics.

A partir de projetos de pesquisa da Universidade de São Paulo e Universidade Estadual do Ceará, do Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM) e do Sistema Meteorológico do Paraná (SIMEPAR) foram adquirido mais 3 antenas de VLF em 2008. Em Agosto de 2008 foi instalado uma antena em São Martinho da Serra (RS) enquanto que em Dezembro de 2008 foi a vez de Curitiba (PR).

Dessa maneira, a rede STARNET está operando no momento 7 sensores de VLF que estão instalados em Bethlehem (Africa do Sul), Guadeloupe (Caribe), Fortaleza (Brasil), São Paulo (Brasil), Campo Grande (Brasil), São Martinho da Serra (Brasil) e Curitiba (Brasil) enquanto que no primeiro semestre de 2009 a rede irá aumentar para 8 receptores de rádio, sendo que a nova antena sera instalada em Manaus (Brasil). As antenas instaladas em Addis Ababa (Etiopia) e Dar es Salaam (Tanzânia) serão transferidas para localidades no oceano Atlântico de forma a auxiliar o estudo da formação dos furacões.

Desde o lançamento da STARNET, a atividade de descargas atmosféricas sobre as Américas, Caribe, oceano Atlântico e parte do continente africano tem sido monitoradas continuamente em diferentes resoluções espaciais (ex: 5-20 km dentro da área de cobertura e > 50 km fora da área de cobertura dos sensores) e com um alta resolução temporal (1 mili-segundo).

Esta série de dados sem precedentes no estudo da convecção apresenta uma oportunidade original de avançar a pesquisa do ciclo da hidrológico nas regiões mais ativas da terra (África, Amazônia e ZCIT). A disponibilidade de monitoramento contínuo da atividade elétrica em uma área tão extensa, possibilitará aplicações em tempo real para as áreas de recursos hídricos (melhora da estimativa de precipitação), meteorologia (melhora da previsão quantitativa de tempestades convectivas com a assimilação contínua dos dados de descargas atmosféricas) e na segurança da aviação (prever regiões com movimento vertical intenso em nuvens, onde um avião deve evitar).